Fazendo a Diferença

Os tempos mudaram, os desafios que surgem hoje são diferentes dos enfrentados até então. Pressão por resultados positivos, exigência crescente de alto padrão de qualidade em atendimento, produtos e serviços, agilidade nas tomadas de decisão, expectativa de vida útil das pessoas aumentando, mudanças nas leis de aposentadoria e principalmente a velocidade da obsolescência da tecnologia e do conhecimento em todas as áreas, são alguns dos desafios encontrados nos dias atuais, entre outros...

A maneira mais eficaz de preparar-se para essa nova realidade é administrar as características pessoais, reavaliar conceitos e conscientizar-se de suas necessidades, desenvolvendo virtudes e competências individuais para lidar com o todo...

A empresa que perceber e souber aproveitar-se destas circunstâncias, oferecendo aos seus colaboradores a oportunidade de auto-desenvolvimento, fará a grande diferença no mercado, assim como o profissional empenhado em desenvolver seu potencial pessoal, pois tecnologia e conhecimento estão à disposição de todos. O que realmente faz a diferença é a atitude das pessoas diante das diversas situações do dia-a-dia, a qualificação pessoal.

sábado, 29 de setembro de 2012

AS FASES DO LUTO – Por que perder dói tanto?

O sentimento de perda é uma experiência que todos nós passamos pelo menos uma vez na vida. Mesmo comum, ainda sim é um processo difícil porque na maioria das vezes não sabemos como administrar a profusão de sentimentos.
“De um modo geral, o luto é uma reação vital, inerente à condição humana e representa a resposta à perda de algo ou de alguém. Este processo inclui um conjunto de sentimentos que levam mais ou menos tempo a serem resolvidos dependendo da pessoa ou da situação em particular e, que não devem ser apressados nem embotados com o uso de medicação.” Resumindo, é uma tristeza profunda em decorrência de uma perda.
O luto não cabe apenas em casos de morte, mas também quando há alteração em setores da vida em geral, como por exemplo: profissional (perda do emprego, mudança de cargo), afetivo (término de namoro, fim de uma amizade), saúde (doença, acidente) etc.
Há mais ou menos dois anos perdi uma pessoa muito especial, que amava profundamente. Embora mantivesse um discurso de entendimento, ainda assim não aceitava e vivia em negação constante, com o peso da saudade assombrando tudo que fazia. Por me recusar a encarar a perda e pedir ajuda, vivia em processo de lembrar que “precisava esquecer a qualquer custo”, presa à dor, estática nas emoções. O tempo passou a ter a função de algoz ao invés de aliado piorando meu estado pessoal e a vida no geral até que um dia, finalmente, procurei um profissional para entender porque minha vida estava daquele jeito.
Numa das sessões, ele explicou as “5 Fases do Luto” e a necessidade de passar por cada uma. Ao pesquisar sobre o assunto, descobri o que eram essas fases e quando alguém se nega a vivenciá-las, sofre porque se agarra a uma situação que não existe mais e por isso, “fica” impedida de reconstruir sua vida. Sim, porque a perda é como se fosse um limite entre a vida que possuíamos antes e uma nova, diferente, sem o nosso objeto de amor perdido.
O processo de “fases do luto” foi um estudo desenvolvido pela psiquiatra americana Elizabeth Kubler-Ross, ao pesquisar os efeitos da perda e o período do luto. Ela ressalta que tal processo se aplica a qualquer alteração importante na rotina: a notícia de uma morte, de uma doença grave, a separação de um amor, até o envelhecimento para algumas pessoas. Em geral, o enlutado passa por 5 fases distintas. São elas:
1. Negação - é uma reação de resistência ao choque e à profunda dor. A pessoa se sente atordoada ou emocionalmente adormecida, o discurso baseia-se em “não, eu não merecia isso”, “porque isto aconteceu?” ou “porque eu não evitei?” “Isto não pode estar acontecendo”. É o início do luto, apego ao que se perdeu e uma tentativa de manter consigo, algumas vezes chega até ver ou ouvir a pessoa perdida. Aqui muitas coisas perdem o sentido, e até as tarefas mais simples são difíceis demais de serem realizadas. É a fase de maior sofrimento.
2. Raiva - acontece a reação, normalmente de revolta: “Como pode Deus (ou a vida, ou o destino) fazer isto comigo?”. Acontece um período de grande agitação e ansiedade pelo que foi perdido. Quem sofre não consegue relaxar ou concentrar-se e o sono é alterado, com possíveis noites insones e o corpo está de prontidão para se defender de qualquer outra possível decepção. Nesse estágio, a raiva pode se voltar tanto para uma entidade superior como também contra qualquer pessoa pelo ocorrido, incluindo a si mesma, médicos e enfermeiros, amigos e familiares que não foram úteis, ou mesmo contra a pessoa(coisa) que perdeu.
3. Barganha – começa uma tentativa desesperada de negociação com a emoção ou com quem acha ser o culpado: “prometo ser uma pessoa melhor se ele voltar”, “subirei as escadas da igreja de joelho”, “preciso de mais tempo para mudar”, “em outro hospital terei novo diagnóstico”.
Outro sentimento comum é a culpa: pensar em tudo que não foi feito ou dito e que poderia evitar. Simplesmente quem sofre não aceita que a perda está acima de qualquer controle. A culpa pode surgir inclusive, depois de sentir alívio pela morte de alguém que sabia sofrer, porque esse é o sentimento que serve como “culpado” nessa fase.
4. Depressão - “Não consigo passar por isto”, “minha família não merece sofrer assim”. O foco principal são as datas comemorativas (aniversário, ano novo etc.), povoadas de fortes lembranças provocando crises de choro, momentos depressivos, e o estado de agitação referido na fase da raiva e barganha é geralmente seguido de períodos de grande tristeza, isolamento e silêncio. Esta mudança súbita de emoções costuma preocupar as pessoas próximas, mas é um estágio essencial para a resolução do luto, pois o enlutado faz uma análise mais franca em tudo que aconteceu e escolhe enfrentar o fato para recomeçar a sua vida.
5. Aceitação - “Ok, não terei de volta, não há sentido em continuar nessa luta”. Com o tempo, as fases são ultrapassadas gradativamente. A depressão chega ao fim e a mente busca novos assuntos. O sentimento de perda nunca desaparecerá por completo, mas sim administrado de forma que seja possível continuar, seguir em frente. A saudade é mais bem administrada, e o sobrevivente sabe que não terá o passado de volta, cabendo-lhe apenas retomar sua vida.
Entenda que chegar nesse estágio não implica em “esquecer”, mas sim administrar a perda, lembrar com carinho sem o peso da dor. Aceitar o processo não impedirá novas dores, mas apto a decidir qual será sua reação, controlando os impulsos, capaz de direcionar o pensamento para o futuro em vez do passado, ajustando-se à realidade da perda e pronto para desenvolver novos relacionamentos, mantendo uma atitude positiva perante a nova vida.
Se puder aconselhar alguém que está vivenciando isso: procure ajuda, informe-se, descubra em que período do luto se encontra para melhor entender o que está acontecendo e assim, aprender como a lidar com a perda e com a saudade.
Ainda hoje, a saudade assalta e dói. O que faço é administrar meus sentimentos, ciente de que essa perda jamais será reparada e só me resta seguir da melhor maneira possível. Não me obrigo a esquecer, mas a lembrança não é mais um autoflagelo e sim, recordação de um bom momento vivido. Entendo que o tempo é meu aliado, transformando a revolta em aceitação e porque não dizer, força para recomeçar.
Fonte:
As Cinco Fases do Luto
Elisabeth Kubler-Ross
http://tempoparamim.com.br/as-fases-do-luto-%E2%80%93-por-que-perder-doi-tanto