Fazendo a Diferença

Os tempos mudaram, os desafios que surgem hoje são diferentes dos enfrentados até então. Pressão por resultados positivos, exigência crescente de alto padrão de qualidade em atendimento, produtos e serviços, agilidade nas tomadas de decisão, expectativa de vida útil das pessoas aumentando, mudanças nas leis de aposentadoria e principalmente a velocidade da obsolescência da tecnologia e do conhecimento em todas as áreas, são alguns dos desafios encontrados nos dias atuais, entre outros...

A maneira mais eficaz de preparar-se para essa nova realidade é administrar as características pessoais, reavaliar conceitos e conscientizar-se de suas necessidades, desenvolvendo virtudes e competências individuais para lidar com o todo...

A empresa que perceber e souber aproveitar-se destas circunstâncias, oferecendo aos seus colaboradores a oportunidade de auto-desenvolvimento, fará a grande diferença no mercado, assim como o profissional empenhado em desenvolver seu potencial pessoal, pois tecnologia e conhecimento estão à disposição de todos. O que realmente faz a diferença é a atitude das pessoas diante das diversas situações do dia-a-dia, a qualificação pessoal.

terça-feira, 2 de junho de 2009

RELACIONAMENTO AFETIVO-AMOROSO

Ana Beatriz M. Brito

Escuto muito as pessoas falarem de dificuldade em conseguir e/ou manter um bom relacionamento afetivo-amoroso.
As mulheres queixam-se: "Não existem mais homens bons para se relacionar" "Os bons estão todos comprometidos" "Eu não consigo arrumar namorado" "Meus relacionamentos nunca dão certo".
Os homens, por sua vez, também reclamam ou das atuais companheiras ou da falta de alguém legal para se relacionarem.
Relacionamento é o ato ou efeito de relacionar ou relacionar-se. É convivência. Conhecimento recíproco entre pessoas. É um verdadeiro exercício da inteligência, pois exige análise e dedicação constantes.
Através do relacionamento com nossos pais, professores, amigos, familiares, e amantes, aprendemos e nos tornamos quem somos. Além disso, ao longo de nossas vidas, também mantemos um relacionamento conosco mesmos e, da qualidade deste relacionamento, dependem nossas relações com as outras pessoas. Nossa felicidade e qualidade de vida estão diretamente relacionadas à forma como nos relacionamos.
Embora qualquer ser humano possa ter uma vida completa sozinha, a maioria das pessoas precisa e busca um relacionamento que dê certo para que este seja a base de sustentação sobre a qual construirá o resto de suas vidas. Para muitos, amor, companheirismo, parceria, confiança e intimidade são tão vitais quanto a água e o ar.
Mas o certo é que os requisitos para um bom relacionamento são diferentes para cada pessoa, então todos os relacionamentos são diferentes, pois vivemos no mesmo mundo, no entanto o percebemos e experenciamos de maneiras diferentes devido a variedade de vivêncas, crenças e expectativas que temos.
Algumas pessoas, em busca de um bom relacionamento, acabam construindo verdadeiro inferno em sua vida e na de seu parceiro. Procuram em cada pessoa que se relacionam um complemento para si próprias. Acreditam que o relacionamento perfeito é aquele em que um completa do outro e assim, levadas pela carência afetiva e/ou sentimento de rejeição, criam uma relação de dependência sufocante para si e para o parceiro que não tenha a carência correspondente ou complementar que feche a corrente. As queixas mais comuns são: “Ele não me faz feliz” “Não sei viver sem ela” “Só vou ser feliz quando ele...”
Vale lembrar que um relacionamento baseado em dependência é insano, pois mostra a falta de inteireza dos relacionados e isso é ilustrado pelas expressões: “metade da laranja” “cara metade”...
Uma relação afetivo-amorosa saudável e completa é aquela onde duas pessoas inteiras se unem para compartilhar e somar, não porque dependem um do outro mas porque sentem prazer em estarem juntas, em conversar, conviver, compartilhar idéias e planos, enfim, uma relação em que as duas pessoas caminham juntas na mesma direção.
Outras pessoas fazem seu inferno mantendo uma relação de ciúme infundado e doentio, fruto do medo ou pânico da perda, baixa auto-estima e poder pessoal, que gera insegurança e ansiedade obsessiva chegando à violência e consequetemente às portas das delegacias ou até às selas dos presídios.
As pessoas costumam dizer que o ciúme é o tempero do amor. Será? Ou isso é uma desculpa para sua insegurança e falta de confiança em si mesmo e no outro?
A função essencial do ciúme, quando existe alguma real situação de perigo, é comunicar ao outro a possibilidade de ameaça afetiva, mas toda relação tem risco e a pior resposta ao ciúme é a rejeição a esse sentimento, pois o ciúme mais intenso gera magoa no outro que responde ainda mais ofendido. Este clima emocional de ciúme e mágoa cresce e torna a relação muito difícil. Entretanto, é o equilíbrio da relação que está em jogo, não necessariamente a sanidade das pessoas.
As melhores respostas aceitam o sentimento de ciúme do outro, de modo a que as duas pessoas possam refletir sobre si mesmas discutir juntas a real possibilidade do risco da relação. Isto geralmente produz um clima de concordância possibilitando o equilíbrio e a continuidade de um bom relacionamento afetivo.
As pessoas poderão aprender a considerar com naturalidade os riscos do relacionamento sinalizados pelas emoções e essa perderão a intensidade que incomoda.
Algumas mulheres, ainda, buscam o príncipe encantado, montado no cavalo branco cheio de amor e principalmente dinheiro, pronto para satisfazer todos os seus caprichos - esquecendo até da famosa luta pela igualdade de direitos entre mulheres e homens - e alguns homens buscam a virgem cinderela com seu pezinho delicado, mas muita força para fazer o trabalho pesado, satisfazer os seus desejos e aguentar as intempéries de humor do príncipe mimado. Estes esquecem de olharem-se no espelho para descobrirem que não são tão aristocratas assim e que podem decepcionar príncipes e princesas vindos de outros castelos - ninguém é perfeito.
Outras pessoas, ainda, buscam um relacionamento cheio de paixão e tesão eternos, que movimentem suas vidas, que apague todas as outras necessidades, que as motivem e impulsionem para frente. Pobre do parceiro, quanta responsabilidade! Não se dão conta que o sexo é somente um complemento de uma relação saudável e feliz e que essa mesma paixão e tesão impulsionadora pode ser encontrada em qualquer área da vida. A empolgação pelo sexo não compensa a falta de dinheiro, amizade, realização profissional, por exemplo. Então primeiro devem, através do autoconhecimento, descobrir em que área está a sua carência e resolvê-la.
Nossa vida não se resume só em relacionamento afetivo, existem outras áreas que precisam de nossa atenção para o seu desenvolvimento e nosso funcionamento perfeito, é como se cada área fosse uma engrenagem de um único sistema que trabalha para nossa evolução e felicidade.
Pode-se dividir esse sistema nas seguintes áreas (engrenagens): Lazer/Recreação, Profissional, Financeira, Relacionamento íntimo, Relacionamento Social, Espiritual, Família, Saúde Física, Saúde Emocional e Intelectual.
Todas essas áreas têm igual importância, mas, às vezes, por não olharem para si mesmos, as pessoas não se conhecem, cuidam muito de uma área em detrimento de outras e acabam fazendo com que essa que não está sendo atendida, enfraqueça as que são mais trabalhadas, assim essas pessoas se descompensam e buscam essa compensação na relação afetiva, exigindo do parceiro o que ele não lhes pode dar, por mais que se esforce.
Também já vi bastante a busca pela “alma gêmea”, por parte dos equivocados que pensam que “alma gêmea” tem que ser seu par romântico e perfeito, quando pode ser qualquer pessoa de suas relações ou não. E tenho visto casamentos de anos infelizes ou desfeitos porque, principalmente a mulher, desconfia que seu parceiro não é sua “alma gêmea”.
O que as pessoas precisam dar-se conta é que o relacionamento ideal, aquele recheado de amor, companheirismo, parceria, confiança e intimidade, não tem base na paixão/tesão, obsessão, dependência, cobrança e esperança que um dia ele ou ela mude e se transforme naquele(a) que eles querem para si. O bom relacionamento é o construído no dia-a-dia pelos dois membros do casal, com diálogo baseado na autopercepção, conhecimento do outro, respeito, flexibilidade e aceitação das diferenças individuais, percebendo e aceitando as mudanças que vem com o passar dos anos, isto é, maturidade e boa convivência, apesar das diferenças, das adversidades e das outras pessoas.
O que muitas pessoas buscam em seus parceiros é o que deveriam buscar dentro de si mesmos, através do autoconhecimento, desenvolvimento de auto-estima e poder pessoal para evoluirem e tranformarem-se em pessoas maduras, prontas para viverem um bom relacionamento. E isso, muitas vezes, só é possivel encontrar através de uma boa terapia.

Um comentário:

Paulo disse...

Oi Bia
Penso que essa idealização das relações pode ser construtiva, na medida que represente nossa utopia (penso que não devemos viver sem ela - eu não consigo!!) de vida, mas não pode ocupar o espaço da vida real (não podemos viver sem - ninguém consegue!!), senão viveremos apenas de projeções.
Só se desilude quem estava iludido!!!
A maturidade é a via entre um e outro, construída no dia-a-dia.
Concordo com o Freire: sem tesão (por toda essa complexidade!), não há solução!!!
Bj